UMA INICIATIVA ESTRATÉGICA PARA A ECONOMIA DO MAR NO RIO DE JANEIRO, ALINHANDO INOVAÇÃO, SUSTENTABILIDADE E INCLUSÃO À AGENDA DA TRANSIÇÃO AZUL
Introdução
Por meio desta proposta, a Ábatos sustenta que o Estado do Rio de Janeiro e sua capital encontram-se diante de uma oportunidade singular para resgatar sua vocação marítima e catalisar o desenvolvimento da Economia do Mar — um setor historicamente subaproveitado, embora já represente 9,74% do PIB estadual e empregue mais de 301 mil pessoas. Trata-se, portanto, de um momento propício para avançar de forma estratégica na agenda da Economia Azul.
Nesse contexto, a Ilha do Governador é apresentada como território prioritário, dada sua posição geográfica privilegiada, seus ativos logísticos de grande relevância — como o Aeroporto Internacional do Galeão — e sua profunda identidade marítima. Apesar disso, a região enfrenta desafios socioambientais complexos que exigem soluções integradas e inovadoras.
Diante desse cenário, propõe-se a criação do programa “Reinventando a Economia do Mar – RE-MAR”, tendo como projeto piloto o “RE-MAR Ilha”, a ser implementado na Ilha do Governador, considerada o ambiente ideal para testes e validação de modelos transformadores.
A iniciativa visa fomentar a geração de empregos qualificados, atrair investimentos estratégicos e reposicionar o Rio de Janeiro como protagonista na construção da Economia Azul no contexto do Sul Global e dos países BRICS. Espera-se que os resultados obtidos sejam apresentados como referência internacional durante a Conferência da Década do Oceano, prevista para 2027.






A Economia do Mar constitui uma vertente expressiva da atividade econômica fluminense, contribuindo de forma relevante para o Produto Interno Bruto estadual. No entanto, seus benefícios permanecem concentrados, com baixa diversificação e limitada capilaridade socioeconômica, o que compromete seu pleno aproveitamento como vetor de desenvolvimento sustentável.
Nesse cenário, a Ilha do Governador — situada na capital — desponta como território de elevada importância estratégica. Abriga ativos logísticos de grande porte, como o Aeroporto Internacional do Galeão, e carrega uma rica tradição naval que reforça sua identidade marítima. Ainda assim, enfrenta entraves significativos de ordem social, ambiental e infraestrutural, que restringem a expressão de seu potencial latente e demandam intervenções estruturantes e inovadoras.
Um potencial marítimo mal explorado
Economia do Mar
Conceito que reúne atividades econômicas ligadas direta ou indiretamente ao ambiente marinho, como petróleo e gás, construção naval, pesca, turismo costeiro, transporte marítimo e portos. Ela serve como base para medir o valor já gerado por essas cadeias produtivas, mesmo que de forma limitada, e permite identificar desafios e oportunidades de crescimento. Com esse diagnóstico, torna-se possível criar políticas públicas mais eficazes e adaptáveis.
Dimensão Econômica
Economia Azul
Conceito central da estratégia proposta, representando uma evolução sustentável da Economia do Mar. Com base na definição do Banco Mundial, ela promove o uso responsável dos recursos oceânicos, integrando crescimento econômico, equidade social e preservação ambiental como pilares do desenvolvimento. Ao adotar essa abordagem, o governo estadual e a prefeitura do Rio de Janeiro poderiam se alinhar a práticas globais e se prepararem para um futuro mais resiliente e inclusivo
Dimensão Ambiental
Amazônia Azul
Território marítimo estratégico do Brasil, com cerca de 5,7 milhões de km², criado como conceito pela Marinha para reforçar sua importância nacional. Essa área concentra quase toda a produção de petróleo, gás e comércio exterior do país. Para o Rio de Janeiro, ela representa uma conexão essencial entre a economia costeira local e políticas nacionais de Segurança e Defesa, infraestrutura e desenvolvimento.
Dimensão Geopolítica
As Âncoras Econômicas
O Porto da capital do Rio de Janeiro é um centro econômico estratégico, atuando como ponto-chave para o comércio exterior do Brasil. Projetos de modernização, como o aprofundamento do canal, buscam ampliar sua capacidade para navios de grande porte. Além disso, o turismo costeiro e náutico, o que inclui cruzeiros e atividades recreativas, contribui significativamente para a economia local.
O Paradoxo da Baía de Guanabara
A Baía de Guanabara representa o coração cultural do Rio, mas também carrega os efeitos de longa negligência ambiental. A poluição intensa prejudica a saúde, limita a pesca e o turismo, e impede o crescimento da Economia Azul. Esse cenário exige uma mudança urgente de paradigma, onde a valorização do capital natural e a regeneração ambiental se tornam pilares de uma nova Economia do Mar.



Ilha do Governador: um laboratório
Contenção Geográfica
Por ser naturalmente delimitada, a Ilha do Governador é especialmente adequada para funcionar como um Laboratório Urbano Vivo, permitindo maior controle, monitoramento e avaliação dos impactos de intervenções em áreas como infraestrutura, mobilidade, meio ambiente e inclusão produtiva.
Diversidade de ativos
A Ilha concentra uma amostra representativa de quase todos os setores da Economia do Mar que a cidade pretende desenvolver: logística de ponta (aeroporto), indústria pesada (estaleiros), comunidades tradicionais (pescadores), potencial turístico e áreas de preservação ambiental (manguezais).
Proximidade do conhecimento
Sua localização estratégica, vizinha à Cidade Universitária (UFRJ) e com fácil acesso a outras instituições como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é ideal para fomentar o modelo de "hélice quádrupla" (Academia, governo, Indústria e sociedade civil), que é a base para o sucesso do LUV.
Analisando a Ilha para o LUV
A análise estratégica é uma ferramenta essencial para identificar com precisão os fatores internos e externos que influenciarão o sucesso do RE-MAR Ilha.
O planejamento estratégico eficaz começa com uma análise SWOT bem estruturada, que permite antecipar cenários, alinhar recursos e definir caminhos sustentáveis diante do ambiente em que o RE-MAR Ilha será implantado.
2. Presença do Aeroporto Internacional do Galeão, um hub logístico em expansão.
3. Infraestrutura naval e industrial preexistente, embora subutilizada.
4. Comunidades pesqueiras tradicionais com profundo conhecimento local.
5. Proximidade com grandes centros de pesquisa (UFRJ, UERJ e Marinha do Brasil).
2. Profunda desigualdade socioeconômica entre os bairros.
3. Infraestrutura urbana e de saneamento deficiente em áreas de baixa renda.
4. Desconexão entre a economia do aeroporto e a comunidade local.
5. Histórico de declínio da indústria naval tradicional.
2. Desenvolvimento do turismo azul de base comunitária (gastronomia, ecoturismo).
3. Criação de uma cadeia de suprimentos local para atender ao Aeroporto do Galeão.
4. Fomento a um cluster de biotecnologia marinha e tecnologias oceânicas.
5. Expansão da infraestrutura para esportes e lazer náutico.
2. Agravamento da poluição da Baía por fontes externas à ilha.
3. Falta de mão de obra qualificada para as novas indústrias da Economia Azul.
4. Conflitos de uso do espaço marítimo (pesca vs. navegação vs. lazer).
5. Pressão imobiliária e risco de gentrificação nas áreas costeiras.
Uma nova arquitetura de governança para a economia do mar
O Programa RE-MAR: Reinventando a Economia do Mar é uma proposta registrada em nome do Diretor Executivo da Ábatos Consultoria em Gestão Empresarial sob o Número do Registro da Obra da Biblioteca Nacional: 000984.0341297/2025


